Quando do “Prólogo à Recompilação em 12 anos” Vladimir I. Lenin afirmou sobre os princípios com que dirigiu o jornal Revolucionário Iskra:
“Iskra lutou pela criação de uma organização de revolucionários profissionais, lutou com particular energia em 1901 e 1902, desbancou o “economicismo” então predominante, criou definitivamente esta organização em 1903, a manteve apesar da divisão posterior dos iskristas, apesar da grande convulsão na época da tempestade e do embate, a manteve durante toda a revolução russa, a defendeu e a preservou desde 1901-1902 até 1907.
E agora, quando a luta por esta organização terminou faz muito, quando se fez a semeadura, amadureceu o grão e terminou a colheita, surge alguém que diz: ‘se exagerou a ideia da organização de revolucionários profissionais!’ Não é ridículo isto?”(Lenin, V.I. Prologo a la Recompilacion em 12 años: In Obras Completas, Tomo 16, p.106).
Este pequeno extrato demonstra todo o significativo conteúdo pelo qual o Jornal Inverta tem se pautado ao longo de seus 21 anos de existência como expressão e afirmação dos princípios de organização leninista no Brasil. Bem verdade que seu tempo histórico se difere significativamente do tempo histórico do Iskra, logo, os objetivos da luta tomaram contornos diferentes e até os princípios se flexibilizaram e se reordenaram historicamente no sentido de se adaptarem às circunstâncias táticas, mantendo-se firmemente os objetivos estratégicos: a Revolução Socialista. Deste modo, é possível afirmar que um balanço destes 21 anos de vida do Jornal Inverta é uma clara e incontestável demonstração de resistência e convicção de sua Organização e militantes. Se não é possível comparar ao mesmo grau de conquistas do Iskra, pode-se, no mínimo, afirmar que o Inverta já deu largos passos na consolidação desse processo, pois quando Lenin escreveu tais palavras em 1907 ainda estava por transcorrer uma década para que o significado da luta do Iskra se condensasse na Revolução Socialista de 1917, além disso, as inúmeras batalhas internas entre as diversas correntes dentro do partido: bolcheviques, mencheviques, otzovistas (boicotistas e ultimatistas) e empiriocriticistas (seguidores de Mach e construtores de deus), que aparentemente se resolveram na VI Conferência de Praga (1912), na verdade, continuam historicamente em novas tendências, tais como: “stalinista”, “trotskista”, reformista, revisionista, esquerdista e revolucionárias.
O Jornal Inverta nasceu em um processo histórico em que a luta revolucionária no mundo chega ao cume de uma crise de paradigma ou modelo revolucionário que se consolidou na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e inspirou os demais movimentos revolucionários fundados no proletariado, campesinato e camadas médias e foi copiada de forma mais ou menos caricata por outros. Com o desmoronamento da URSS e seu Partido Comunista, combinando-se com uma grande ofensiva do capital imperialista através das oligarquias financeiras, se levantaram, tanto as tendências reformistas e revisionistas, quanto os esquerdistas e anarquistas, liderados pelas camadas médias e pequena burguesia; na verdade, velhas tendências pintadas de fresco em alternativa ao convívio mais ou menos pacífico e subsumido à ordem legal do capital neste período de reação e baixa revolucionária.
Naturalmente, a comparação entre os objetivos defendidos pelo Inverta e os objetivos defendidos pelo Iskra devem ser mediados pela tendência da luta revolucionária e socialista, em seus respectivos períodos, pois enquanto o período do Iskra era de ascensão da luta revolucionária e socialista no mundo como um todo, chegando ao ápice com os governos de frente popular e o movimento de libertação nacional e anti-imperialista pós-segunda guerra; a tendência histórica da luta em que surge o Inverta aparentemente se desenvolve no sentido oposto ao vivido pelo Iskra. Aqui, é decisivo ter em conta a dialética do relativo e do absoluto no que concerne à tendência histórica da luta revolucionária e socialista em termos de época e período histórico, mediados pela revolução no modo de produção social: a mudança da totalidade de uma época em absoluto resulta de um conjunto de períodos relativos a fases de desenvolvimentos desta época histórica: ascensão, ápice e decadência. E se compreendermos que o período histórico da revolução burguesa iniciado ainda no século XI nos Pirineus somente se consolida enquanto época histórica após a revolução industrial na Inglaterra (1740-1830), a revolução política na França (1789-1815) e a revolução filosófica na Alemanha (1815-1830), então, não é arbitrário supor que, se o mesmo ocorrer com a Revolução Socialista, o período histórico vivenciado nos dias atuais, cujo cume – a crise do socialismo – embalou o surgimento do Inverta, não implica o fim da ascensão histórica da Revolução Socialista, mas de baixa relativa, que prepara uma nova e revigorada ascensão, sendo, portanto, a iniciativa do Jornal Inverta um símbolo de resistência e convicção nos princípios da Revolução Socialista e instrumento real de luta do marxismo revolucionário pelos objetivos estratégicos do proletariado e do povo oprimido, neste novo renascimento da luta revolucionária no mundo.
As mais de duas décadas de existência, resistência e convicção dos militantes que se expressam através do Jornal Inverta - apesar de todas as adversidades, crises econômicas mundiais, perseguições políticas, repressões e mudanças de governo da ditadura para democracia burguesa, das oligarquias para a pequena burguesia - indicam que mais que semear uma organização cultivaram a espinha dorsal, que é capaz de resistir e superar os obstáculos que se apresentam até o momento, entre estes, o desafio da reprodução de quadros, da manutenção e defesa, não apenas intelectual de suas convicções, mas a defesa física de seus militantes, além disso, deu provas de sua força e energia para se reerguer a cada golpe que sofre de seus inimigos e adversários com mais determinação e ousadia. O sacrifício diuturno de seus militantes mais aguerridos desperta o furor da reação e da canalha revisionista, provoca a inveja de seus adversários, e desperta a vontade política e revolucionária dos combatentes mais experientes. A força e juventude de seus membros demonstram, inquestionavelmente, que seu reerguer acompanha conscientemente a retomada da luta do povo em nosso país e continente.
Os 20 Anos de circulação do Granma Internacional no Brasil que também se comemoram junto com o Inverta são a expressão cabal da convicção e capacidade de superação da organização do Inverta em sua luta determinada pela unidade dos trabalhadores e povos no continente latino-americano e no mundo. Se Cuba Revolucionária se expressa por seu órgão oficial, que é o Granma, o Jornal Inverta afirma seu corolário de princípios e objetivos ao transmitir as palavras de Cuba diretamente para o povo brasileiro ao manter esta circulação do Granma Internacional no país. A resistência de Cuba é berço que inspira a ação do Inverta e de sua organização revolucionária no Brasil. Neste momento, tal posição torna-se ainda mais honrosa quando se observa a ação mediatizadora de Cuba no processo de paz do povo colombiano e reconhecimento de suas legítimas organizações, como são os casos das FARC-EP e do ELN, reavivando o papel da Ospaal na cena histórica mundial, como foi definido por Fidel e Che.
Os 21 anos do Jornal Inverta exigem um silêncio e profundo respeito de seus adversários e imitadores, a constante preocupação do seu inimigo de classe e o grito latente do proletariado e massas revolucionárias em nosso país sob a palavra de ordem:
Ousar Lutar! Ousar Vencer! Venceremos!
Viva os 21 Anos do Jornal Inverta!
Viva os 20 Anos do Granma Internacional no Brasil!
Viva o Processo de Paz na Colômbia!
Pela Libertação dos 5 Heróis Cubanos!
P. I. Bvilla pelo OC do PCML
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
21º Aniversário do Inverta e 20º do Granma Internacional: Uma demonstração de Resistência e Convicção aos Princípios da Revolução e do Socialismo
Essa matéria foi publicada na Edição 461 do Jornal Inverta, em 24/09/2012
disponível em www.inverta.org
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